Desejo um 2019 muito maravilhoso. Que consigamos nos curar das várias feridas de 2018. Imagino que não tenha sido um ano fácil para vós, não foi fácil para mim. Espero que em 2019 as coisas melhorem para todos nós. Se as coisas não melhorarem, que a gente consiga melhorar, curando e confortando um ao outro, que consigamos ter escuta e coragem para expressar as nossas dores, que consigamos perceber os dilemas de cada um, sem ficarmos na constante fuga ao álcool, bares e discotecas. Que ano que iniciou seja para a nossa cura.

Contudo, companheiros, não foquemos só em nós. O ano foi difícil para as mulheres, as próximas e distantes, familiares, amigas, vizinhas; mulheres. Muitas delas morreram, não só de causas naturais. Há mulheres que foram mortas pelos parceiros. Os mesmos que fizeram juras de amor são os mesmos que as tiraram a vida. Fomos bastante televisionados com elevados índices de violência sexual contra raparigas e mulheres. Foram violadas por familiares, vizinhos, distantes e próximos. Foram violadas dentro de casa, na rua, na igreja, em tudo que é lugar. Enquanto escrevo este texto, vejo uma notícia de uma rapariga violada e morta em uma igreja. São violações e violências perpetradas por homens.

Queridos homens, queridos amigos. Podemos fazer um 2019 diferente.

Desejo um 2019 em que nenhuma mulher seja violentada fisicamente pelo marido, pelo namorado, por ninguém. Desejo um 2019 em que nenhuma mulher seja morta em alguma via, em algum beco, em alguma esquina, em algum quintal, em alguma casa, em lugar nenhum. Desejo um 2019 em que raparigas e mulheres sintam-se seguras dentro de casa, na visita a casa do tio e do padrinho, na visita em casa dos amigos dos pais, seguras na igreja e na mesquita, na rua, na escola, no bar, no restaurante. Em todos os lugares que nós, os homens, frequentamos de forma segura.

Desejo um 2019 em que cada acto sexual seja consentido. Um 2019 em que nós, os homens, entendamos que o “Não” da boca da mulher significa “Não”. Não se trata de charme, não é coisa de mulheres, não é uma forma de sedução para que o macho conquiste a preza. É Não. Quando a pessoa quer, a palavra é Sim.

Eu quero um 2019 em que nenhuma mulher seja vítima da mutilação genital em Djibuti, Eritreia, Somália e em nenhuma parte do mundo. Um 2019 em que nenhuma menina seja casada prematuramente em Moçambique, na Índia, no Malawi e no mundo. Que em 2019 não haja orgulho nas elevadas estatísticas de violações sexuais na Inglaterra, País de Gales, Moçambique e no mundo. Que em 2019 nenhuma mulher seja vítima de feminicídio em El Salvador, Colômbia, Guatemala, Rússia e no mundo.

Queridos amigos, queridos homens, nós podemos fazer um 2019 diferente. Isso é possível conversando uns com os outros, limitando e criticando a atitude violenta que o amigo deseja perpetrar contra a namorada, a esposa, a filha. O seu amigo tem manifestado as suas más intenções nas conversas consigo. Ele diz que vai bater na esposa por ter chegado tarde, ele diz que vai bater a namorada por ter visto ela andando com um jovem que não conhecia na rua. Tu tens visto a forma como o seu amigo observa meninas menores e manifesta o desejo de querer ter sexo com elas. Ele já falou que vai furar o preservativo para engravida-la. Ele falou que vai embriaga-la para ter sexo. Nas rodas de conversa já falaram de sexo a três sem o consentimento dela.

Querido amigo, como eu e você temos sido diante de nós mesmo? Como você e eu temos nos posicionado diante dos nossos amigos. Criticamos? Repudiamos as suas atitudes? Ou asseguramos a amizade apoiando o indigno?

Como você e eu temos sido diante das nossas parceiras?

Eu espero que em 2019 consigamos melhorar-nos a nós mesmo. Que melhoremos diante dos nossos amigos e amigas. Que nos humanizemos.

Que em 2019 e para sempre, a mão outrora usada para bater, seja usada para acariciar, passar a mão na cabeça, com o consentimento dela. Que a boca que geralmente solta palavras injuriosas, depreciativas, seja usada para dizer: te amo, quero continuar a caminhar consigo. Que nenhum momento sexual com a sua parceira, ou com quem for, seja por coerção. Que nenhuma mulher morra nas suas mãos, nas minhas mãos e nas de ninguém. Que as lágrimas de 2019 sejam de alegria e satisfação. Que você e eu nos tornemos no namorado/marido/companheiro da amiga que a sua/minha namorada/mulher/companheira admira.

Que tudo isto seja feito sem reivindicação de troféus. Porque não é só por elas, é por nós. Isto nos humaniza.

Um 2019 com dignidade.

#VamosHomem

* Edgar Bernardo (Cubaliwa) é docente universitário, colaborador da Rede Hopem e Advisor do African Rising. É membro do Comité Editorial d´Alternactiva.

Edição: Boaventura Monjane

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