Comunicado de Imprensa   

Solidariedade da UNAC às vítimas do Ciclone IDAI

A União Nacional de Camponeses, movimento de camponeses e camponesas de Moçambique, criado pelos próprios a mais de 30 anos, como plataforma de luta pela defesa dos seus direitos e interesses sociais, económicos e culturais; manifesta a sua profunda preocupação e consternação, pelo violento impacto da passagem do Ciclone IDAI e das adjacentes enxurradas, com claros e marcantes rastos de destruição e luto, ao longo do seu percurso.

Com efeito, a União Nacional de Camponeses, lamenta constatar que apesar da queda das chuvas acima do normal, no centro do país, ter-se intensificado, gradualmente, desde o início do ano, afectando, sobretudo, as zonas historicamente vulneráveis, a passagem do Ciclone IDAI, com impacto histórico na Cidade da Beira (e arredores), e as fortes chuvas e ventos, que devastaram, praticamente tudo, conjugados à corrente das águas vindas dos países vizinhos igualmente afectados, surpreendeu, inclusive, os camponeses e as camponesas, que esperavam por alguma colheita, da produção da campanha agrícola 2018/2019.

Dos dados disponíveis nos canais oficiais de informação, porém, em permanente actualização; esta catástrofe ceifou, até ontem, no país, a vida de cerca de 250 pessoas, feriu cerca de 1.500, desabrigou mais de 23 mil famílias e deixou mais de 350 mil pessoas em situação de risco, incluindo famílias camponesas, maioritariamente, residentes nas zonas rurais.

Centenas de milhares de famílias camponesas, incluindo crianças, mulheres e pessoas com necessidades especiais, foram forçadas a desintegrar-se e/ou a deixar as suas casas e machambas, perdendo seus bens e suas fontes de subsistência. Outras centenas, perderam a própria vida.

As imagens em circulação nas redes sociais e nas televisões, mostram-nos um cenário preocupante e desolador, com milhares de compatriotas nossos, seus animais e bens, flutuando, ou pendurados em árvores e tectos de casas, clamando, desesperadamente, pelo resgate. Aos resgatados, falta quase tudo, até mesmo um sorriso, ou a informação sobre o paradeiro dos restantes membros de suas famílias.

Neste momento crítico, de consternação, medo, desolação e luto, no seio das famílias camponesas espalhadas, sobretudo, pelas Províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia, nós camponeses e camponesas, a liderança, os membros e todos os colaboradores e militantes da União Nacional de Camponeses, embora sejamos também as principais vítimas, reiteramos a nossa solidariedade, aos companheiros e companheiras que, com coragem e determinação, estejam engajados na mitigação dos efeitos desta catástrofe humanitária.

Na sequência, nós famílias camponesas, congratulamo-nos com os diferentes gestos de solidariedade manifestada em diferentes frentes e quadrantes, desde o nível nacional até ao internacional, o qual está sendo feito, sem medir nenhum esforço para tal.

Igualmente, reafirmamos o nosso compromisso inalienável com a consolidação das práticas agroecológicas, com a soberania alimentar das famílias camponesas, e pela agricultura camponesa. Reafirmamos também o nosso engajamento na luta pela realização dos direitos e interesses dos camponeses e camponesas. E continuamos firmes na nossa luta, orientados e em total acordo com o preceito constitucional, segundo o qual “a agricultura é a base de desenvolvimento do nosso país”.

Lançamos uma corrente solidária camponesa, mobilizando colaboradores, militantes, e camponeses e camponesas das Uniões Provinciais de Cabo Delgado, Niassa, Nampula, norte da Zambézia, Tete, Inhambane, Gaza e Maputo, a prestarem todo o apoio possível, aos companheiros e companheiras das províncias afectadas, usando também os espaços das associações/ cooperativas, uniões distritais e uniões provinciais, para o efeito.

Por fim, a União Nacional de Camponeses solidariza-se com todos os camponeses e camponesas, famílias e cidadãos, vítimas desta calamidade. Aos companheiros enlutados, endereça as mais sentidas condolências; e ao povo moçambicano, em geral, um apelo para a contínua precaução, em virtude dos permanentes alertas sobre a possibilidade de novas intempéries.

Camponeses Unidos, Sempre Venceremos!

Maputo, 21 de Março de 2019

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