{"id":177,"date":"2019-01-06T12:44:27","date_gmt":"2019-01-06T12:44:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8080\/alternactiva\/?p=177"},"modified":"2023-06-05T13:07:57","modified_gmt":"2023-06-05T13:07:57","slug":"sao-as-redes-sociais-a-republica-alternativa-em-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alternactiva.co.mz\/en\/sao-as-redes-sociais-a-republica-alternativa-em-mocambique\/","title":{"rendered":"Are Social Networks the \u201cAlternative Republic\u201d in Mozambique?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_180\" aria-describedby=\"caption-attachment-180\" style=\"width: 806px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-180\" src=\"http:\/\/localhost:8080\/alternactiva\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/facebook-redes-photo-e1546780479901.jpg\" alt=\"\" width=\"806\" height=\"604\" srcset=\"https:\/\/alternactiva.co.mz\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/facebook-redes-photo-e1546780479901.jpg 1500w, https:\/\/alternactiva.co.mz\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/facebook-redes-photo-e1546780479901-300x225.jpg 300w, https:\/\/alternactiva.co.mz\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/facebook-redes-photo-e1546780479901-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/alternactiva.co.mz\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/facebook-redes-photo-e1546780479901-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 806px) 100vw, 806px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-180\" class=\"wp-caption-text\">Usu\u00e1ria consultando sua p\u00e1gina no Facebook | BM<\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo dados do <em>Internet World Stats<\/em>, at\u00e9 Dezembro de 2017 Mo\u00e7ambique tinha cerca de 5,2 milh\u00f5es de usu\u00e1rios de Internet, perfazendo cerca de 17.3% da sua popula\u00e7\u00e3o total, o que correspondendo a uma percentagem ainda reduzida da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deixa de ser significativo. O Facebook, lan\u00e7ada em 2004, \u00e9 a maior rede social e a mais usada em todo o mundo. O Facebook \u00e9 tamb\u00e9m a rede social mais usada em Mo\u00e7ambique, com cerca de 1,8 milh\u00f5es de usu\u00e1rios activos. Este n\u00famero representa cerca de 5.9% de toda a popula\u00e7\u00e3o mo\u00e7ambicana, estimada pelo Instituto Nacional de Estat\u00edstica, em 2017, em cerca de 28,9 milh\u00f5es de habitantes. O n\u00famero de usu\u00e1rios do WhatsApp pode ser ainda muito mais expressivo se se tomar em conta que, potencialmente, qualquer cidad\u00e3o com um telefone celular activo com acesso \u00e0 Internet pode ser contado. Segundo dados do Instituto Nacional de Comunica\u00e7\u00f5es, s\u00f3 em 2016 o n\u00famero de subscritores de servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es m\u00f3veis em Mo\u00e7ambique era de cerca de 13 milh\u00f5es.<!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 opini\u00e3o crescentemente generalizada que o crescimento e a massifica\u00e7\u00e3o de tecnologias digitais, \u00e0 escala global, t\u00eam estado a mudar radicalmente a forma como as pessoas t\u00eam usado o seu espa\u00e7o comunicativo em todas as dimens\u00f5es da sua vida em sociedade. O uso massivo da Internet para conex\u00e3o social, atrav\u00e9s da publica\u00e7\u00e3o e partilha de textos, v\u00eddeos e imagens em redes sociais, \u00e9 uma das principais caracter\u00edsticas das sociedades democr\u00e1ticas dos nossos dias. Crescentemente, associa-se o sucesso de qualquer democracia a uma estrutura robusta e aberta de comunica\u00e7\u00e3o, sendo o ciberespa\u00e7o largamente visto como um espa\u00e7o renovado da esfera p\u00fablica para a discuss\u00e3o aberta e alargada de assuntos de interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p>Nas redes sociais, os cidad\u00e3os produzem e mediatizam a sua pr\u00f3pria vis\u00e3o e entendimento da vida p\u00fablica do pa\u00eds, n\u00e3o mais funcionando como meros receptores do que a grande <em>media<\/em> nacional ou o poder pol\u00edtico vigente e seus agentes disseminam. Nesse espectro, as redes sociais s\u00e3o, por conseguinte, uma forma inovadora de participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica que possibilita aos cidad\u00e3os monitorarem criticamente as a\u00e7\u00f5es dos governos e os interesses corporativistas, a terem escolhas pol\u00edticas em fun\u00e7\u00e3o de recomenda\u00e7\u00f5es das suas redes de discuss\u00e3o e a interagirem directamente com organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas convencionais ou n\u00e3o convencionais.<\/p>\n<p>Alguns estudiosos da presente era da informa\u00e7\u00e3o e do redesenho program\u00e1tico da ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica catalisadas pelas novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o t\u00eam desenvolvido interessantes <em>insights<\/em> sobre os seus desdobramentos actuais e futuros. Zygmunt Bauman designa esse per\u00edodo de \u201cmodernidade l\u00edquida\u201d, dinamizada por uma sociedade de \u201cindiv\u00edduos livres\u201d que fez da cr\u00edtica da realidade, da insatisfa\u00e7\u00e3o perante o <em>status quo<\/em> e da express\u00e3o dessa insatisfa\u00e7\u00e3o uma parte inevit\u00e1vel e obrigat\u00f3ria dos afazeres da vida de cada um dos seus membros. Gustavo Mello fala do advento de um novo conceito de esfera p\u00fablica, onde o uso p\u00fablico da raz\u00e3o se pauta pela \u201cautoridade do melhor argumento\u201d nas rela\u00e7\u00f5es entre o Estado e a sociedade civil. Boaventura de Sousa Santos prop\u00f5e emancipa\u00e7\u00f5es sociais constru\u00eddas atrav\u00e9s de uma tripla transforma\u00e7\u00e3o: a transforma\u00e7\u00e3o do poder em autoridade partilhada, a transforma\u00e7\u00e3o do direito desp\u00f3tico em direito democr\u00e1tico, e a transforma\u00e7\u00e3o do conhecimento-regula\u00e7\u00e3o em conhecimento-emancipa\u00e7\u00e3o, todas tendo como consequ\u00eancia a democratiza\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria do espa\u00e7o de cidadania. Gemma Edwards projecta a emerg\u00eancia de movimentos sociais defensivos a interfer\u00eancias econ\u00f3micas e pol\u00edticas na vida quotidiana que, atrav\u00e9s de discuss\u00f5es e debates, contribuem para a revigora\u00e7\u00e3o de uma esfera p\u00fablica na qual a legitimidade de qualquer sistema pol\u00edtico, econ\u00f3mico ou social podia ser questionada e chamada a prestar contas.<\/p>\n<p>As redes sociais como o Facebook e o WhatsApp s\u00e3o um dos mais importantes vectores dessas transforma\u00e7\u00f5es, nos nossos dias. \u00c9 inquestion\u00e1vel o seu contributo para a democratiza\u00e7\u00e3o radical do conhecimento e a multiplica\u00e7\u00e3o de fontes e vozes que desafiam os <em>mass media<\/em> dominantes, bem como para a mete\u00f3rica ascens\u00e3o do jornalismo feito pelos cidad\u00e3os (particularmente daqueles que procuram trazer as vozes das comunidades que n\u00e3o s\u00e3o normalmente representadas pelos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o social). Por serem plataformas que viabilizam uma difus\u00e3o \u00e1gil de conte\u00fados, tais redes podem ser instrumentos efectivos de den\u00fancia e de exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablicas, constrangendo a adop\u00e7\u00e3o de comportamentos inadequados, tanto no que concerne \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de verbas p\u00fablicas, quanto no que se refere \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de direitos e regras que normatizam o jogo democr\u00e1tico \u2013 sobretudo em situa\u00e7\u00f5es nas quais as viola\u00e7\u00f5es s\u00e3o praticadas por agentes do Estado. Nesse sentido, elas podem furar hierarquias, estruturas e procedimentos no di\u00e1logo entre o cidad\u00e3o e as elites no poder, influenciando grandemente o processo de tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique n\u00e3o est\u00e1 alheio \u00e0s din\u00e2micas globais que evidenciam a Internet &#8211; e, por tabela, as redes sociais \u2013 como um dos mais importantes meios de comunica\u00e7\u00e3o educativa da actualidade, com poderoso impacto na exposi\u00e7\u00e3o e partilha de informa\u00e7\u00e3o e conhecimento essenciais para o processo de socializa\u00e7\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o das pessoas, bem como para a constru\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es sociais, de valores, de comportamentos e de capacidades que um indiv\u00edduo necessita para a sua plena realiza\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o social. O n\u00famero dos seus usu\u00e1rios tem crescido aceleradamente e, mesmo n\u00e3o sendo ainda suficientemente representativo em fun\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o total do pa\u00eds, o impacto do seu acesso e uso t\u00eam revelado perspetivas modestamente promissoras.<\/p>\n<p>\u00c9 consensual que as redes sociais t\u00eam estado a revolucionar a esfera p\u00fablica e algumas agendas pol\u00edticas, sociais e c\u00edvicas em Mo\u00e7ambique, devido ao seu elevado potencial de exposi\u00e7\u00e3o de eventos p\u00fablicos, de partilha e discuss\u00e3o de opini\u00f5es individuais sobre fen\u00f3menos p\u00fablicos, de mobiliza\u00e7\u00e3o popular e de fiscaliza\u00e7\u00e3o ou de presta\u00e7\u00e3o de contas. In\u00fameras ac\u00e7\u00f5es de protesto p\u00fablico, culminando com a realiza\u00e7\u00e3o de marchas populares e o cancelamento de decis\u00f5es pol\u00edticas ou a reestrutura\u00e7\u00e3o de dispositivos legais, foram levadas a cabo atrav\u00e9s de den\u00fancias disseminadas nestas redes, nos \u00faltimos anos. Todavia, existem tamb\u00e9m algumas reservas nesse sentido, pelo facto de tais redes serem ainda de acesso privilegiado de uma minoria populacional, grandemente urbana, escolarizada e com relativo poder de compra. Ademais, assistem-se tamb\u00e9m nas redes sociais \u00e0 instrumentaliza\u00e7\u00e3o e vicia\u00e7\u00e3o de factos (as chamadas <em>fake news<\/em>), protagonizadas por aparatos, institucionalizados ou n\u00e3o, de desinforma\u00e7\u00e3o e de manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica (o fen\u00f3meno \u201cG40\u201d, um grupo de personalidades mobilizado para operar como o advogado do Governo na imprensa e nas redes sociais), bem como \u00e0 epis\u00f3dios de persegui\u00e7\u00e3o de vozes inc\u00f3modas a determinados grupos pol\u00edticos (onde se destacam indiv\u00edduos, a t\u00edtulo pessoal ou activistas de algumas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, cujos posts nas redes sociais t\u00eam granjeado audi\u00eancia e arrastado in\u00fameros seguidores).<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma forte percep\u00e7\u00e3o popular segundo a qual o Estado (ou os seus agentes) tem-se desdobrado no desenvolvimento de novas pr\u00e1ticas de censura para dissuadir o potencial transformador das redes sociais \u2013 uma esp\u00e9cie de \u201ccontrole pol\u00edtico das redes sociais\u201d, cuja express\u00e3o m\u00e1xima gravita em torno da pertin\u00eancia e da finalidade da Lei das Transa\u00e7\u00f5es Electr\u00f3nicas, j\u00e1 aprovada e que entrou em vigor em Mo\u00e7ambique no primeiro semestre de 2017, num processo muito c\u00e9lere e pol\u00e9mico.<\/p>\n<p>Embora justificada pela imperiosidade de regula\u00e7\u00e3o e de fiscaliza\u00e7\u00e3o de transa\u00e7\u00f5es comerciais <em>online<\/em> e n\u00e3o s\u00f3, esta lei pretende criminalizar o que arbitrariamente for considerado como mensagens atentat\u00f3rias \u00e0 seguran\u00e7a do Estado ou \u00e0 privacidade dos seus gestores e agentes. Por conseguinte, tudo aquilo que se publicar nas redes sociais e se enquadrar no constitucionalmente consagrado direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o, como as tentativas de den\u00fancia e de exposi\u00e7\u00e3o de condutas abusivas e desviantes por parte dos governantes ou de gestores da coisa p\u00fablica, pode ser arbitrariamente percebido como atentat\u00f3rio \u00e0 seguran\u00e7a do Estado e possibilitar a persegui\u00e7\u00e3o politicamente motivada dos seus usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>O Facebook e o WhatsApp podem ser tidos como espa\u00e7os alternativos de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em Mo\u00e7ambique, revolucion\u00e1rios sobretudo pela remo\u00e7\u00e3o das barreiras geogr\u00e1ficas, pelo encurtamento das dist\u00e2ncias entre os governantes e os governados e pelo exerc\u00edcio da liberdade de express\u00e3o sem censura. Atrav\u00e9s destas plataformas digitais de informa\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o, uma parte cada vez mais crescente da popula\u00e7\u00e3o jovem e adulta mo\u00e7ambicana \u00e9 exposta a um manancial diversificado de conte\u00fados sobre a vida pol\u00edtica, econ\u00f3mica e social do pa\u00eds e do mundo como nunca. Por essa via, os cidad\u00e3os expandem os seus conhecimentos, constroem a sua pr\u00f3pria opini\u00e3o e desenvolvem as suas redes de discuss\u00e3o e de participa\u00e7\u00e3o sobre Mo\u00e7ambique. Colocando de lado o seu uso desvirtuado ou de mero entretenimento, estas redes sociais ajudam a moldar identidades, funcionam como um instrumento educacional de massas e prestam um servi\u00e7o \u00fatil na consciencializa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e na fortifica\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos seus usu\u00e1rios, para al\u00e9m se serem um instrumento \u00fatil de fiscaliza\u00e7\u00e3o e de intera\u00e7\u00e3o com as estruturas do poder a todos os n\u00edveis.<\/p>\n<p>* <em>Edgar Barroso \u00e9 servidor p\u00fablico e activista social. \u00c9 doutorando em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pelo Instituto de Estudos Sociais, Ankara Yildirim Beyazit University. \u00c9 membro do Comit\u00e9 Editorial d\u00b4<strong>Alternactiva<\/strong>.<\/em><\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Boaventura Monjane<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 consensual que as redes sociais t\u00eam estado a revolucionar a esfera p\u00fablica e algumas agendas pol\u00edticas, sociais e c\u00edvicas em Mo\u00e7ambique, devido ao seu elevado potencial de exposi\u00e7\u00e3o de eventos p\u00fablicos, de partilha e discuss\u00e3o de opini\u00f5es individuais sobre fen\u00f3menos p\u00fablicos, de mobiliza\u00e7\u00e3o popular e de fiscaliza\u00e7\u00e3o ou de presta\u00e7\u00e3o de contas.<\/p>\n<p>Edgar Barroso*<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":180,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-177","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.0 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>S\u00e3o as Redes Sociais a \u201cRep\u00fablica Alternativa\u201d em Mo\u00e7ambique? - Alternactiva<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/alternactiva.co.mz\/en\/sao-as-redes-sociais-a-republica-alternativa-em-mocambique\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_GB\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"S\u00e3o as Redes Sociais a \u201cRep\u00fablica Alternativa\u201d em Mo\u00e7ambique? - Alternactiva\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u00c9 consensual que as redes sociais t\u00eam estado a revolucionar a esfera p\u00fablica e algumas agendas pol\u00edticas, sociais e c\u00edvicas em Mo\u00e7ambique, devido ao seu elevado potencial de exposi\u00e7\u00e3o de eventos p\u00fablicos, de partilha e discuss\u00e3o de opini\u00f5es individuais sobre fen\u00f3menos p\u00fablicos, de mobiliza\u00e7\u00e3o popular e de fiscaliza\u00e7\u00e3o ou de presta\u00e7\u00e3o de contas. 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