{"id":454,"date":"2020-04-09T11:46:07","date_gmt":"2020-04-09T11:46:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8080\/alternactiva\/?p=454"},"modified":"2023-06-05T13:03:39","modified_gmt":"2023-06-05T13:03:39","slug":"a-sul-da-quarentena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alternactiva.co.mz\/en\/a-sul-da-quarentena\/","title":{"rendered":"South of Quarantine"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_455\" aria-describedby=\"caption-attachment-455\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-455 size-full\" src=\"http:\/\/localhost:8080\/alternactiva\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/boaventura-de-sousa-santos.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/alternactiva.co.mz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/boaventura-de-sousa-santos.jpg 900w, https:\/\/alternactiva.co.mz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/boaventura-de-sousa-santos-300x200.jpg 300w, https:\/\/alternactiva.co.mz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/boaventura-de-sousa-santos-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-455\" class=\"wp-caption-text\">Boaventura de Sousa Santos, acad\u00e9mico portugu\u00eas | Foto de Gustavo Lopes Pereira \/ Funda\u00e7\u00e3o Gon\u00e7alo da Silveira<\/figcaption><\/figure>\n<p>A quarentena n\u00e3o s\u00f3 torna mais vis\u00edveis, como refor\u00e7a, a injusti\u00e7a, a discrimina\u00e7\u00e3o, a exclus\u00e3o social e o sofrimento injusto que elas provocam. Acontece que tais assimetrias se tornam mais invis\u00edveis em face do p\u00e2nico que se apodera dos que n\u00e3o est\u00e3o habituados a ele. S\u00e3o muitos os grupos para os quais a quarentena \u00e9 particularmente dif\u00edcil. T\u00eam em comum ter uma especial vulnerabilidade que precede a quarentena e se agrava com ela. No seu conjunto, estes colectivos sociais constituem a maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial. Selecciono uns poucos.<\/p>\n<p><em>As mulheres<\/em>. A quarentena ser\u00e1 particularmente dif\u00edcil para as mulheres e, nalguns casos, pode mesmo ser perigosa. As mulheres s\u00e3o consideradas \u201cas cuidadoras do mundo\u201d, dominam na presta\u00e7\u00e3o de cuidados dentro e fora das fam\u00edlias. Dominam em profiss\u00f5es, como enfermagem ou assist\u00eancia social, que estar\u00e3o na linha da frente da presta\u00e7\u00e3o de cuidados a doentes e idosos dentro e fora das institui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se podem defender em quarentena para garantir a quarentena de outros. S\u00e3o elas tamb\u00e9m que continuam a ter a seu cargo, exclusiva ou maioritariamente, o cuidado das fam\u00edlias. Postas em quarentena, poderia imaginar-se que havendo mais bra\u00e7os em casa as tarefas poderiam ser mais distribu\u00eddas. Suspeito que assim n\u00e3o ser\u00e1, em face do machismo que impera e qui\u00e7\u00e1 se refor\u00e7a em momentos de crise e de confinamento familiar. O aumento do n\u00famero de div\u00f3rcios em algumas cidades chinesas durante a quarentena pode ser um indicador do que acabo de dizer. Por outro lado, \u00e9 sabido que a viol\u00eancia contra as mulheres tende a aumentar em tempos de guerra e de crise \u2013 e tem vindo a aumentar agora. O confinamento das fam\u00edlias em espa\u00e7os ex\u00edguos e sem sa\u00edda pode oferecer mais oportunidades para o exerc\u00edcio da viol\u00eancia contra as mulheres. O jornal franc\u00eas <em>Le Figaro <\/em>noticiava em 26 de Mar\u00e7o, que as viol\u00eancias conjugais tinham aumentado 36% na semana anterior em Paris.<\/p>\n<p><em>Os trabalhadores prec\u00e1rios, informais, ditos aut\u00f3nomos. <\/em>Depois de quarenta anos de ataque aos direitos dos trabalhadores em todo o mundo por parte das pol\u00edticas neoliberais, este grupo de trabalhadores \u00e9 globalmente dominante, ainda que sejam muito significativas as diferen\u00e7as de pa\u00eds para pa\u00eds. O que significar\u00e1 a quarentena para estes trabalhadores, que tendem a ser os mais rapidamente despedidos sempre que h\u00e1 uma crise econ\u00f3mica? No dia 23 de Mar\u00e7o, a \u00cdndia declarou a quarentena por tr\u00eas semanas, envolvendo 1.3 mil milh\u00f5es de habitantes. Considerando que na \u00cdndia, entre 65% e 70% dos trabalhadores pertencem \u00e0 economia informal, calcula-se que 300 milh\u00f5es de indianos ficaram sem rendimentos. Na Am\u00e9rica Latina, cerca de 50% dos trabalhadores trabalham no sector informal. Em \u00c1frica, por exemplo, no caso do Qu\u00e9nia ou Mo\u00e7ambique a maioria dos trabalhadores \u00e9 informal. As recomenda\u00e7\u00f5es da OMS parecem ter sido elaboradas a pensar numa classe m\u00e9dia que \u00e9 uma pequen\u00edssima frac\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mundial. O que significa a quarentena para trabalhadores que ganham dia-a-dia para viver dia-a-dia? Arriscar\u00e3o desobedecer \u00e0 quarentena para dar de comer \u00e0 sua fam\u00edlia? Morrer de v\u00edrus ou morrer de fome, eis a op\u00e7\u00e3o. Noutros contextos, os uberizados da economia informal entregam comida e encomendas ao domic\u00edlio. S\u00e3o eles que garantem a quarentena de muitos, mas para isso n\u00e3o se podem proteger com ela. O seu \u201cneg\u00f3cio\u201d vai aumentar tanto quanto o risco.<\/p>\n<p><em>Os moradores nas periferias pobres das cidades, favelas, barriadas, slums, cani\u00e7o, etc. <\/em>1.6 mil milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o t\u00eam habita\u00e7\u00e3o adequada e 25% da popula\u00e7\u00e3o mundial vive em bairros informais sem infraestruturas nem saneamento b\u00e1sico, sem acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos, com escassez de \u00e1gua e de eletricidade. Vivem em espa\u00e7os ex\u00edguos onde se aglomeram fam\u00edlias numerosas. Dadas as condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o, poder\u00e3o cumprir as regras de preven\u00e7\u00e3o recomendadas pela OMS? Poder\u00e3o manter a dist\u00e2ncia interpessoal nos espa\u00e7os ex\u00edguos de habita\u00e7\u00e3o onde a privacidade \u00e9 quase imposs\u00edvel? Poder\u00e3o lavar as m\u00e3os com frequ\u00eancia quando a pouca \u00e1gua dispon\u00edvel tem de ser poupada para beber e cozinhar? Muitos destes bairros s\u00e3o hoje fortemente policiados e por vezes sitiados por for\u00e7as militares sob o pretexto de combate ao crime. N\u00e3o ser\u00e1 esta afinal a quarentena mais dura para estas popula\u00e7\u00f5es?\u00a0 Os jovens das favelas do Rio de Janeiro, que sempre foram impedidos pela pol\u00edcia ou pelos transportes de ir ao domingo \u00e0 praia de Copacabana para n\u00e3o perturbar os turistas, n\u00e3o sentir\u00e3o que j\u00e1 viviam em quarentena? Qual a diferen\u00e7a entre a nova quarentena e aquela que foi sempre o seu modo de vida? Em Mathare, um dos bairros perif\u00e9ricos de Nairobi, Qu\u00e9nia, 68.941 pessoas vivem num quil\u00f3metro quadrado. Tal como em muitos contextos similares no mundo, as fam\u00edlias partilham uma sala que tamb\u00e9m \u00e9 cozinha, quarto e sala de estar. Como \u00e9 que se lhes pode pedir auto-isolamento?<\/p>\n<p>Para os moradores das periferias pobres do mundo a actual emerg\u00eancia sanit\u00e1ria vem juntar-se a muitas outras emerg\u00eancias. Segundo nos informa a <em>Garganta Poderosa,<\/em> um dos mais not\u00e1veis movimentos sociais de bairros populares da Am\u00e9rica Latina, os moradores enfrentam v\u00e1rias outras emerg\u00eancias. \u00c9 o caso da emerg\u00eancia sanit\u00e1ria decorrente de outras epidemias ainda n\u00e3o debeladas e da falta de aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Neste ano foram j\u00e1 registados 1833 casos de dengue em Buenos Aires. S\u00f3 na Villa 21, um dos bairros pobres de Buenos Aires, registaram-se 214 casos. \u201cPor coincid\u00eancia\u201d, na Villa 21 70% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem \u00e1gua pot\u00e1vel. \u00c9 o caso tamb\u00e9m da emerg\u00eancia alimentar: os modos comunit\u00e1rios de superar a fome que grassa nos bairros (cantinas populares, merendas) colapsam ante o aumento dram\u00e1tico da procura. Se as escolas fecham, acaba a merenda escolar que garantia a sobreviv\u00eancia das crian\u00e7as. \u00c9 finalmente o caso da emerg\u00eancia da viol\u00eancia dom\u00e9stica, particularmente grave nos bairros, e da permanente emerg\u00eancia da viol\u00eancia policial e da estigmatiza\u00e7\u00e3o que ela traz consigo.<\/p>\n<p><em>Os idosos<\/em>. Este grupo, particularmente numeroso no norte global, \u00e9, em geral, um dos grupos mais vulner\u00e1veis, mas a vulnerabilidade n\u00e3o \u00e9 indiscriminada. Ali\u00e1s, a pandemia obriga-nos a uma maior precis\u00e3o sobre os conceitos que usamos. Afinal, quem \u00e9 idoso? Ainda segundo a <em>Garganta Poderosa, <\/em>a diferen\u00e7a de esperan\u00e7a de vida entre dois bairros de Buenos Aires (o bairro pobre de Zavaleta e o bairro nobre de Recoleta) \u00e9 de cerca de vinte anos. N\u00e3o surpreende que os l\u00edderes das comunidades sejam considerados de \u201cidade madura\u201d pela comunidade e \u201cjovens l\u00edderes\u201d pela sociedade em geral.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de vida prevalecentes no norte global levaram a que boa parte deles fosse viver em lares, casas de repouso, asilos. Em tempos normais, os idosos passaram a viver nestes alojamentos como espa\u00e7os que garantiam a sua seguran\u00e7a. Em princ\u00edpio, a quarentena causada pela pandemia n\u00e3o deveria afectar grandemente a sua vida, dado viverem j\u00e1 em permanente quarentena. O que suceder\u00e1 quando, devido \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, esta zona de seguran\u00e7a se transforma em zona de alto risco, como est\u00e1 a acontecer em Portugal e Espanha? Estariam mais seguros se pudessem voltar \u00e0s casas onde viveram toda a vida, no caso improv\u00e1vel de elas ainda existirem? Os familiares que, por exclusiva conveni\u00eancia pr\u00f3pria, os alojaram em lares, n\u00e3o sentir\u00e3o remorsos por sujeitar os seus idosos a um risco que lhes pode ser fatal? E os idosos que vivem isolados n\u00e3o correr\u00e3o agora um risco maior de morrer sem que ningu\u00e9m d\u00ea conta? H\u00e1 ainda a acrescentar que, sobretudo no sul global, epidemias anteriores levaram a que os idosos tivessem que prolongar a sua vida activa. Por exemplo, a epidemia do SIDA matou e continua a matar pais jovens, ficando os av\u00f3s com a responsabilidade do agregado familiar. Se os av\u00f3s morrerem, as crian\u00e7as correm um risco muito alto de fome, desnutri\u00e7\u00e3o e morte.<\/p>\n<p>\u00c0 luz das experi\u00eancias destes grupos sociais torna-se particularmente evidente a necessidade de imaginar e adoptar alternativas ao modo de viver, de produzir, de consumir e de conviver nestes primeiros anos do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>* Boaventura de Sousa Santos \u00e9 Director Em\u00e9rito do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimba<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: P\u00fablico (Lisboa), Quinta-feira, 9 de Abril de 2020<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Am\u00e9rica Latina, cerca de 50% dos trabalhadores trabalham no sector informal. Em \u00c1frica, por exemplo, no caso do Qu\u00e9nia ou Mo\u00e7ambique a maioria dos trabalhadores \u00e9 informal. 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