{"id":513,"date":"2020-08-26T12:24:33","date_gmt":"2020-08-26T12:24:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8080\/alternactiva\/?p=513"},"modified":"2023-06-05T13:03:03","modified_gmt":"2023-06-05T13:03:03","slug":"o-vernaculo-e-o-utopico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alternactiva.co.mz\/en\/o-vernaculo-e-o-utopico\/","title":{"rendered":"The vernacular and the utopian"},"content":{"rendered":"<div class=\"page\" title=\"Page 1\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<figure id=\"attachment_465\" aria-describedby=\"caption-attachment-465\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-465\" src=\"http:\/\/localhost:8080\/alternactiva\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/maxresdefault_BoaventuraSS.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/alternactiva.co.mz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/maxresdefault_BoaventuraSS.jpg 1280w, https:\/\/alternactiva.co.mz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/maxresdefault_BoaventuraSS-300x169.jpg 300w, https:\/\/alternactiva.co.mz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/maxresdefault_BoaventuraSS-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/alternactiva.co.mz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/maxresdefault_BoaventuraSS-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-465\" class=\"wp-caption-text\">Boaventura de Sousa Santos proferindo a confer\u00eancia &#8220;As epistemologias do Sul e a descoloniza\u00e7\u00e3o da universidade&#8221;, dentro das comemora\u00e7\u00f5es do anivers\u00e1rio de 90 anos da UFMG.Santos | Foto de UFMG<\/figcaption><\/figure>\n<p>A consulta a qualquer diciona\u0301rio de li\u0301ngua moderna escrita leva-nos a concluir que o verna\u0301culo e o uto\u0301pico sa\u0303o conceitos opostos. Enquanto o verna\u0301culo (do latim, vernaculus,) significa o pro\u0301prio de um pai\u0301s concreto, de um local ou de uma regia\u0303o, o uto\u0301pico (de Utopia, ti\u0301tulo do famoso livro de Thomas More [1516]) significa o que caracterizaria um governo imagina\u0301rio em nenhum lugar especi\u0301fico. Em sentido figurado, enquanto o verna\u0301culo e\u0301 o correcto, puro, da terra, o uto\u0301pico e\u0301 o fantasioso, imagina\u0301rio, quime\u0301rico. Neste texto, procuro mostrar que, ao contra\u0301rio desta aparente contradic\u0327a\u0303o e do consenso dos diciona\u0301rios a seu respeito, ha\u0301 mais cumplicidades entre os dois termos do que se pode imaginar, e que essas cumplicidades se te\u0302m vindo a tornar mais visi\u0301veis em tempos recentes.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>O ti\u0301tulo deste texto foi inspirado pelo trabalho de um dos mais nota\u0301veis e mais esquecidos teo\u0301ricos marxistas do se\u0301culo passado, Teodor Shanin, que realizou um trabalho pioneiro para resgatar a riqueza, a diversidade e o cara\u0301cter dina\u0302mico do pensamento de Karl Marx (contra todas as ortodoxias, marxistas e na\u0303o marxistas). Shanin dedicou-se, em especial, a mostrar a importa\u0302ncia do trabalho na\u0303o publicado por Marx depois da publicac\u0327a\u0303o do primeiro volume de Das Kapital em 1867 (a u\u0301ltima obra de vulto que publicou em vida) ate\u0301 a\u0300 sua morte em 1883, o \u201cMarx tardio\u201d, nada mais nada menos que 30.000 pa\u0301ginas de apontamentos. Ate\u0301 a\u0300 publicac\u0327a\u0303o de O capital, e apesar de ter lido mais do que qualquer outro teo\u0301rico europeu seu contempora\u0302neo sobre a histo\u0301ria das sociedades na\u0303o europeias, nomeadamente asia\u0301ticas, Marx analisou-as de uma perspectiva euroce\u0302ntrica, evolucionista, centrada na ideia de que tais sociedades representavam esta\u0301gios anteriores e irremediavelmente ultrapassados das sociedades capitalistas desenvolvidas da Europa. Mesmo no caso destas, a u\u0301nica que foi analisada por si com impressionante detalhe e lucidez foi a Inglaterra, a economia capitalista mais desenvolvida do seu tempo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Atento aos movimentos revoluciona\u0301rios que emergiam em plena Europa e que na\u0303o se compaginavam com o modelo de revoluc\u0327a\u0303o proleta\u0301ria que tinha teorizado, Marx passou a dar-lhes uma atenc\u0327a\u0303o privilegiada em vez de os ignorar ou de os quadrar a\u0300 forc\u0327a na sua teoria. Se isto e\u0301 verdade no caso da Comuna de Paris de 1871, ainda o e\u0301 mais no caso do movimento populista revoluciona\u0301rio russo, de base camponesa, muito forte nas de\u0301cadas de 1870 e de 1880. Para entender o que se passava na Ru\u0301ssia, Marx comec\u0327ou a estudar russo obsessivamente (como se fosse \u201cuma questa\u0303o de vida ou de morte\u201d, como se queixou a sua mulher em carta a Engels, fiel companheiro e colaborador de Marx). A partir de enta\u0303o e ate\u0301 a\u0300 sua morte, a heterogeneidade das histo\u0301rias e das transformac\u0327o\u0303es sociais passou a ser um facto central nas reflexo\u0303es de Marx. As conseque\u0302ncias teo\u0301ricas na\u0303o se fizeram esperar: na\u0303o ha\u0301 leis monoli\u0301ticas de desenvolvimento social; na\u0303o ha\u0301 uma, mas va\u0301rias vias para chegar ao socialismo, e as ana\u0301lises de O capital so\u0301 sa\u0303o inteiramente va\u0301lidas para o caso da Inglaterra; os camponeses, longe de serem um obsta\u0301culo ou um resi\u0301duo histo\u0301rico, podem, em certas circunsta\u0302ncias, ser um sujeito revoluciona\u0301rio. Tudo isto soava estranho, teoricamente impuro e \u201cpouco marxista\u201d aos olhos da maioria dos marxistas do final do se\u0301culo XIX. Esta evoluc\u0327a\u0303o do pensamento de Marx chegou a ser considerada sinal de debilidade mental associada a\u0300 velhice, e uma das quatro verso\u0303es da carta de Marx dirigida a uma populista russa, Vera Zazulich, foi censurada pelos marxistas russos e so\u0301 foi publicada em&#8230;1924. Curiosamente, as mesmas cri\u0301ticas de impureza teo\u0301rica foram dirigidas a Lenine pelos seus camaradas depois de 1905-7.<\/p>\n<p>Quais eram afinal os pecados de Marx? Eram dois. Por um lado, ter dado valor aos contextos e experie\u0302ncias locais, verna\u0301culas, apesar de eles se desviarem dos padro\u0303es supostamente universais. Por outro lado, atribuir valor positivo e ate\u0301 uto\u0301pico ao que era antigo, aparentemente residual (a comuna camponesa russa assente na propriedade comunita\u0301ria e na democracia de base, ainda que sempre sob a vigila\u0302ncia do estado despo\u0301tico czarista) e desafiava, pelo seu voluntarismo e moralismo, as leis objectivas (e a-morais) da evoluc\u0327a\u0303o social que ele pro\u0301prio tinha descoberto.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 3\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Tudo isto parece histo\u0301ria de um passado longi\u0301nquo e sem releva\u0302ncia para o nosso presente e futuro, mas na verdade na\u0303o e\u0301 assim. Este ge\u0301nero de debate, sobre a necessidade de procurar nas tradic\u0327o\u0303es as energias e as pistas para futuros melhores e, mais em geral, sobre as dificuldades de a teoria pura, qualquer que ela seja, dar conta da realidade sempre rebelde e sempre em movimento, acompanhou todo o se\u0301culo passado, e penso que nos vai acompanhar no se\u0301culo actual. A ti\u0301tulo de exemplo, menciono dois contextos muito diferentes em que o debate esteve presente (se e\u0301 que na\u0303o continua a estar). Deixo de lado o facto de nenhum dos processos revoluciona\u0301rios que se estabilizou no se\u0301culo passado ter sido protagonizado pela classe opera\u0301ria nos termos precisos previstos pela teoria marxista, das revoluc\u0327o\u0303es russas de 1905 e 1917 a\u0300 revoluc\u0327a\u0303o mexicana de 1910, das revoluc\u0327o\u0303es chinesas de 1910, 1927-37 e 1949 a\u0300 revoluc\u0327a\u0303o vietnamita de 1945 e a\u0300 revoluc\u0327a\u0303o cubana de 1959. Em todas elas, o protagonista foi o povo trabalhador oprimido no campo e na cidade, e em algumas delas os camponeses tiveram um papel decisivo.<\/p>\n<p>O primeiro contexto foi o da descolonizac\u0327a\u0303o no subcontinente asia\u0301tico (sobretudo na I\u0301ndia) e em A\u0301frica. Em todos os processos de independe\u0302ncia esteve presente o dilema entre ser dificuldade ou oportunidade o facto de as realidades locais se afastarem tanto das realidades europeias estudadas por Marx que so\u0301 com muitas adaptac\u0327o\u0303es se poderiam imaginar revoluc\u0327o\u0303es nacionalistas de vocac\u0327a\u0303o socialista em versa\u0303o marxista. No caso da I\u0301ndia, o debate foi aceso no seio das forc\u0327as nacionalistas: de um lado, a posic\u0327a\u0303o de Nehru, que associava o socialismo a\u0300 modernizac\u0327a\u0303o da India, em termos pro\u0301ximos dos da modernizac\u0327a\u0303o europeia; do outro, Gandhi, para quem a riqueza da cultura e das experie\u0302ncias comunita\u0301rias da I\u0301ndia ofereciam a melhor garantia de libertac\u0327a\u0303o real. Em 1947, prevaleceu a posic\u0327a\u0303o de Nehru, mas a tradic\u0327a\u0303o gandhiana continuou viva e operativa ate\u0301 hoje. Em A\u0301frica, o arco temporal vai de 1957 (a independe\u0302ncia do Gana) a 1975 (a independe\u0302ncia das colo\u0301nias portuguesas). Sob pena de cometer alguma omissa\u0303o, penso que os quatros li\u0301deres mais nota\u0301veis da luta de libertac\u0327a\u0303o anti-colonial foram Kwame Nkrumah (Gana), Julius Nyerere (Tanzania), Leopold Senghor (Senegal) e Ami\u0301lcar Cabral (Guine\u0301-Bissau). Todos eles viveram intensamente o debate sobre o valor do verna\u0301culo africano e todos eles procuraram, ainda que de maneira distinta, neutralizar o eurocentrismo de Marx e imaginar futuros para os seus pai\u0301ses que valorizassem a cultura, as tradic\u0327o\u0303es e modos de vida africanos. Cada um a\u0300 sua maneira contribuiu para a ideia do socialismo africano que reivindicava a diversidade das vias para o desenvolvimento em que o humanismo africano assumia o lugar do progresso unilinear e a todo o custo, e em que as experie\u0302ncias ancestrais de vida comunita\u0301ria tinham mais prioridade que a luta de classes. Estava presente em todos eles a possibilidade de o verna\u0301culo local e ancestral se transformar na ideia mobilizadora de uma utopia de libertac\u0327a\u0303o. Obviamente, tal como no Marx tardio, que nenhum deles conhecia, o verna\u0301culo teria de ser adaptado para libertar o seu potencial uto\u0301pico.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 4\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Quando em 1975, as enta\u0303o colo\u0301nias portuguesas ascenderam a\u0300 independe\u0302ncia, as condic\u0327o\u0303es do debate tinham-se alterado profundamente devido ao contexto externo e tambe\u0301m ao conhecimento da evoluc\u0327a\u0303o das experie\u0302ncias anteriores de independe\u0302ncia no continente. Mesmo assim, a tensa\u0303o entre o verna\u0301culo e o uto\u0301pico manifestou-se de mu\u0301ltiplas formas. Para dar apenas um exemplo, em Moc\u0327ambique, o partido Frelimo comec\u0327ou por ter uma posic\u0327a\u0303o hostil em relac\u0327a\u0303o a tudo o que era tradicional porque via nele um passado irremediavelmente adulterado pela viole\u0302ncia colonial. Foi assim hostil a\u0300 continuidade das autoridades tradicionais que administravam justic\u0327a de modo informal, por membros da comunidade e com recurso aos sistemas de justic\u0327a africanos. No entanto, o desmantelamento deste sistema de autoridades comunita\u0301rias causou tamanha perturbac\u0327a\u0303o nos modos de convive\u0302ncia paci\u0301fica nas comunidades, onde de qualquer modo na\u0303o chegava a justic\u0327a oficial, que o governo voltou atra\u0301s e legitimou, ja\u0301 em 2000, estas autoridades, que hoje funcionam em paralelo com tribunais comunita\u0301rios. De modo semelhante, na Guine\u0301-Bissau e em Cabo Verde os tribunais de tabanca persistiram com o nome tribunais de zona.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 5\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>O segundo contexto, muito diferente e bem mais recente, teve lugar no Me\u0301xico com o levantamento Zapatista em Chiapas, em 1994, e na Boli\u0301via e no Equador, com os processos constituintes que se seguiram a\u0300s vito\u0301rias nas eleic\u0327o\u0303es presidenciais de Evo Morales (2006) e de Rafael Correa (2007). A experie\u0302ncia zapatista representa uma das mais complexas combinac\u0327o\u0303es entre o verna\u0301culo e o uto\u0301pico, combinando ate\u0301 hoje os ideais de libertac\u0327a\u0303o social e poli\u0301tica com a valorizac\u0327a\u0303o da cultura e das experie\u0302ncias comunita\u0301rias dos povos indi\u0301genas do sul do Me\u0301xico. Um entendimento contra-hegemo\u0301nico dos ideais dos direitos humanos articula-se com uma reivindicac\u0327a\u0303o radical de auto-governo e de inovac\u0327a\u0303o constante a partir do pro\u0301prio e do ancestral. Por sua vez, as duas experie\u0302ncias democra\u0301ticas na Boli\u0301via e no Equador ocorreram depois de de\u0301cadas de mobilizac\u0327a\u0303o dos povos indi\u0301genas, de tal modo que as cosmoviso\u0303es ancestrais indi\u0301genas imprimiram de forma decisiva a sua marca nas Constituic\u0327o\u0303es do Equador (2008) e da Boli\u0301via (2009). A ideia do desenvolvimento foi substitui\u0301da pela ideia de bem viver, a concepc\u0327a\u0303o da natureza como recurso natural foi substitui\u0301da pela concepc\u0327a\u0303o da natureza como pachamama, a ma\u0303e-terra que deve ser cuidada e cujos direitos esta\u0303o especificamente consagrados no artigo 71 da Constituic\u0327a\u0303o equatoriana. A articulac\u0327a\u0303o entre o verna\u0301culo e uto\u0301pico, entre o passado e o futuro, colhia o entusiamo dos movimentos ecologistas urbanos de muitos pai\u0301ses que, sem nada saberem da filosofia indi\u0301gena, se sentiam atrai\u0301dos pelo respeito que dela emergia pelos valores do cuidado da natureza e da conscie\u0302ncia ecolo\u0301gica que os mobilizava. Tal como acontecera antes com os zapatistas, a nova e inovadora e\u0302nfase no verna\u0301culo e no local criava linguagens que transcendiam o local e se integravam em narrativas emancipato\u0301rias cosmopolitas com registo anti-capitalista, anti-colonialista e anti-patriarcal.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 6\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Esta tensa\u0303o criadora entre o verna\u0301culo e o uto\u0301pico na\u0303o acabou com as experie\u0302ncias histo\u0301ricas que acabei de referir. Ouso pensar que nos vai acompanhar neste se\u0301culo, certamente fortalecida pelas alternativas que se abrem no peri\u0301odo po\u0301s-pandemia. Comec\u0327a a ser evidente que se as sociedades e as economias na\u0303o adoptarem outros modos de vida que na\u0303o os assentes na explorac\u0327a\u0303o injusta e sem limites dos recursos naturais e dos recursos humanos, a vida humana no planeta corre risco de extinc\u0327a\u0303o.<\/p>\n<\/div>\n<p>_____<\/p>\n<p>Este artigo inicialmente publicado\u00a0 no <i>Jornal de Letras, a 26 de agosto de 2020. Alternactiva reproduz, com a autoriza\u00e7\u00e3o do autor.<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p>* Boaventura de Sousa Santos \u00e9 director hem\u00e9rito do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Para dar apenas um exemplo, em Moc\u0327ambique, o partido Frelimo comec\u0327ou por ter uma posic\u0327a\u0303o hostil em relac\u0327a\u0303o a tudo o que era tradicional porque via nele um passado irremediavelmente adulterado pela viole\u0302ncia colonial. Foi assim hostil a\u0300 continuidade das autoridades tradicionais que administravam justic\u0327a de modo informal, por membros da comunidade e com recurso aos sistemas de justic\u0327a africanos. 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