A emergência do mercado de carbono
e os seus custos sociais:

A materialização
de injustiça climática
em Moçambique

As estratégias de mitigação e adaptação preveem a implementação de vários projectos baseados na terra, nomeadamente o aumento e a consolidação das áreas de conservação, aumento das plantações florestais como eucalipto ou pinheiros, produção de culturas para biocombustíveis em monocultura (incluindo para exportação), mudanças na forma como a população rural usa a terra (técnicas de agricultura do tipo “climate-smart”), entre outros. 

Existe, na realidade, um grande interesse económico escondido por detrás de interesses ambientais neste tipo de políticas, geralmente não é devida e previamente informado aos agregados familiares envolvidos em tais projectos, tal como é o caso de Nhambita (entre outros casos, como por exemplo o caso da Reserva Nacional do Gilé e implementação de REDD+ de conservação).  No entanto, existem múltiplos actores que lucram com a venda de carbono, desde empresas de verificação e medição até aos compradores (que são geralmente os mais poluidores a nível global).

Enquanto países com uma baixa pegada ambiental como é o caso de Moçambique são obrigados a conservar e preservar a sua biodiversidade em nome da luta contra as mudanças climáticas, outros países e indústrias compram esses créditos de carbono e continuam a industrializar, a poluir e a gerar riqueza com base na extração e expropriação de direitos de emissão entre outros recursos ecológicos. Constituído por uma relação assimétrica e injusta em que uns ganham e outros perdem em nome do ambiente, e os que perdem são exactamente os que menos poluíram historicamente, portanto este extractivismo verde, está no centro do que é a materialização da injustiça climática verificada em Moçambique.