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Alternactiva - Acção pela Emancipação Social

As organizações da sociedade civil agradecem a pronta resposta do Porto de Maputo ao nosso comunicado sobre o uso do porto para o fornecimento de material bélico letal a Israel. Saudamos a afirmação de compromisso do Porto com o cumprimento das normas internacionais e valorizamos a disposição para o diálogo.

No entanto, observamos que o comunicado do Porto de Maputo, ao invés de refutar as alegações, acabou por confirmar pontos essenciais. Ficou reconhecido que o navio HOLGER G recebeu combustível na área de ancoragem, sob jurisdição do porto, ainda que não tenha atracado no terminal. Desde o início, nossa posição foi de que o apoio logístico, como o fornecimento de combustível, já caracteriza facilitação da transferência de material militar para Israel, mesmo sem atracação formal.

O abastecimento foi realizado pelo navio CPG ALMA, que permaneceu ancorado no Porto de Maputo desde 13 de setembro de 2025, deslocando-se para abastecer o HOLGER G e, posteriormente, seguindo para o Porto de Nacala. Este esclarecimento é relevante para responder a questionamentos sobre as imagens divulgadas, confirmando que o navio envolvido na assistência era, de facto, um petroleiro.

O Porto de Maputo também confirmou a data de partida do navio após o abastecimento, o que reforça a veracidade das informações apresentadas pelas organizações.

Por outro lado, o comunicado do Porto de Maputo não esclareceu o conteúdo da carga transportada pelo HOLGER G. As organizações possuem evidências sobre o que estava sendo transportado e acreditam que o Porto, ao afirmar manter total transparência e rastreabilidade, também detenha tais informações.

Reafirmamos que ainda que não tenha havido atracação para carga ou descarga, o Porto de Maputo foi usado para a transferência marítima de material militar para Israel. Consideramos importante que o Porto esclareça também se foram recebidas taxas ou pagamentos por esses serviços.

Cabe ressaltar que o Porto de Maputo é operado por uma parceria público-privada, envolvendo o Estado de Moçambique, o que implica responsabilidades adicionais. O Estado deve garantir que seu território, incluindo portos, não seja utilizado para actividades que contrariem normas internacionais. O MPDC, conforme suasatribuições divulgadas no portal electrónico, exerce responsabilidades públicas em nome do Estado, incluindo detendo poderes de Autoridade Portuária, assumindo funções essenciais para o cumprimento das obrigações legais do país.

O compromisso com as normas internacionais exige vigilância, transparência e medidas preventivas para evitar a repetição de situações semelhantes. Navios que transportam ou são suspeitos de transportar material militar ou de dupla utilização com destino final em Israel começaram recentemente a utilizar a área de ancoragem de Maputo. Isto pode ser resultado do facto de que tanto a África do Sul como a Namíbia, através da sua participação no Grupo de Haia, comprometeram-se formalmente a tomar medidas concretas para impedir transferências marítimas ilegais para Israel. Isto coloca uma responsabilidade adicional sobre o povo e as autoridades Moçambicanas.

Por fim, as organizações da sociedade civil reiteram sua disposição para colaborar com o Porto de Maputo, sugerindo a criação de um canal de diálogo para fortalecer os processos de fiscalização e garantir que navios suspeitos de transportar material militar ou de dupla utilização para Israel sejam devidamente inspeccionados e impedidos de operar, transitar ou mesmo receber serviços em águas moçambicanas.

Que nossos portos e águas não sejam utilizados para contribuir com violações de direitos humanos. Estamos abertos ao diálogo e à cooperação para assegurar que tais situações não se repitam.

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