Alternactiva

Alternactiva - Acção pela Emancipação Social

A pesca artesanal de camarão e os super-heróis não reconhecidos em Moçambique

Embora os pescadores artesanais que pescavam no período de veda reconheçam de uma forma geral a importância da medida de gestão para a regeneração do camarão, afirmam também que a falta de opções de sobrevivência (emprego e outras atividades de renda) e a pressão do inicio do ano escolar nesse período, nem sempre os permite optar pelo caminho da conservação.

Halaze Manhice*

Pulmão da terra reduzido a cinzas: o que isto significa para a crise ambiental global?

A intensificação do capitalismo, do extractivismo, da industrialização e do agronegócio constituem as causas directas da crise ambiental que se assiste hoje e sublinha-se a necessidade de se rever, repensar e destruir tais modelos de produção predatórios. Porém, não significa que devemos nos limitar a esperar que o sistema capitalista se culpabilize e se regenere. É necessário esclarecer que todo o ser humano tem uma pegada ambiental e de alguma forma contribui para a crise ambiental actual, uns mais do que os outros.

Natacha Bruna* e Máriam Abbas**

Guerra e paz, um “casal moçambicano” difícil de se divorciar

Desde o período colonial, passando pelo socialista, e chegando aos dias actuais, entendo que houve um relativo insucesso na fundação de um Estado que fosse capaz de criar consensos duradouros e estáveis, ou seja, de possibilitar aquilo que no entender de Ernest Renan deveria ser um plesbicito contínuo entre os diferentes estratos da sociedade.

André Mindoso*

[Segunda parte] “Cinderelas do nosso Moçambique”: Confrontando diálogos entre jovens feministas e veteranas da luta armada

Na narrativa histórica das mulheres que participaram da LALN, está patente a ideia de inteligência política, devoção e entrega abnegada à causa nacional, movida pela necessidade de as mulheres se mostrarem capazes e de terem surpreendido positivamente a direcção da Frente e aos soldados, homens com quem ladeavam nas bases

Isabel Maria Casimiro* e Withney Osvalda M. Sabino **

’Cinderelas do nosso Moçambique’: Confrontando diálogos entre jovens feministas e veteranas da luta armada [primeira parte]

‘Cinderelas do nosso Moçambique’ é uma expressão usada por Luísa, pseudónimo de uma jovem feminista por nós entrevistada em Junho de 2017 no âmbito de uma pesquisa comparativa, iniciada em Fevereiro de 2017, intitulada “’Diálogos em confronto’. Trajectórias, construções e percursos emancipatórios das mulheres nos PALOP’s: Guiné-Bissau, Cabo Verde e Moçambique”, com o apoio do CODESRIA – Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África.

Isabel Maria Casimiro* e Withney Osvalda M. Sabino **

Contra o capitalismo de desastre, a ecologia dos saberes

As consequências do ciclone Kenneth foram menores a nível de perda de vidas humanas, apesar da força e da intensidade do mesmo, devido às lições aprendidas com o Idai. As autoridades aqui atuaram proativamente e procederam à evacuação de milhares de pessoas.
Numa lógica pós-colonial assinalável, cabe referir o argumento de muitas ONGs moçambicanas pela necessidade de perdão da dívida contraída por Moçambique, contrariando, na sequência do Idai e do Kenneth, a lógica inelutável do capitalismo de desastre e da sua vampirização do Sul Global, em que toda a catástrofe é uma oportunidade de negócio (do apoio humanitário à reconstrução).

José Manuel Mendes

Duas tragédias relacionadas com as alterações climáticas em seis meses: uma seca extrema e um ciclone destrutivo no Zimbabué e em Moçambique

Além de destruírem pontes e estradas, as águas arrastaram e mataram muitas pessoas. No dia 25 de março, as estimativas oficiais já ultrapassavam as 700 vítimas mortais nos três países mais afetados pelo Ciclone Idai (Zimbabué, Moçambique e Malawi). No entanto, estes números são provisórios e tendem a aumentar, uma vez que ainda há muitas pessoas dadas como desaparecidas. Só quando as águas começarem a escoar é que as equipas de resgate poderão ter acesso às zonas mais devastadas para procurar sobreviventes e que as populações poderão regressar às suas terras (para reconstruir as suas vidas).

Ndabezinhle Nyoni/ZIMSOFF